Cida Cardoso* _ O crescimento econômico de uma cidade não pode ser medido apenas pelo número de novos empreendimentos, empresas instaladas ou imóveis construídos. Desenvolvimento de verdade também se mede pela capacidade de oferecer infraestrutura, mobilidade, serviços e qualidade de vida para quem mora, trabalha e investe no território.
Nova Lima vive um momento que exige essa reflexão. A expansão de regiões como Vila da Serra e Vale do Sereno demonstra a força de um município que se tornou polo de atração de investimentos e novos moradores. Esse movimento gera empregos, movimenta a economia e amplia a arrecadação. Também aumenta a responsabilidade sobre as decisões que definirão o futuro da cidade.
O debate, portanto, não deveria ser apenas entre crescer ou preservar. A questão também deve girar em torno de como crescer com planejamento. A expansão urbana precisa estar acompanhada de investimentos proporcionais em mobilidade, saneamento, drenagem, segurança, áreas verdes e equipamentos públicos. Sem essa correspondência, o desenvolvimento perde eficiência e cria custos que recaem sobre toda a sociedade.
Também é preciso superar uma visão fragmentada do planejamento urbano. O empreendimento individual pode atender às exigências previstas para sua implantação, mas a soma das novas ocupações transforma o território.
O impacto coletivo precisa fazer parte das decisões públicas, considerando deslocamentos, infraestrutura disponível, capacidade das redes e perspectivas de crescimento.
Nesse processo, o empreendedor não deve ser tratado apenas como parte interessada, pode ser também parceiro na construção de soluções. Quem investe em uma região acompanha suas transformações, conhece demandas e tem interesse direto em um ambiente urbano organizado, eficiente e sustentável.
A participação da sociedade é igualmente necessária. Planejamento urbano não pode se limitar a discussões pontuais quando um problema já está instalado, é preciso trabalhar com dados, projeções e metas de longo prazo para antecipar necessidades e orientar investimentos.
Vila da Serra e Vale do Sereno são exemplos de uma transformação que ultrapassa os limites de seus bairros. A dinâmica econômica dessas áreas interfere na mobilidade, no mercado imobiliário, na geração de empregos e na prestação de serviços de toda a região.
Por isso, pensar seu futuro exige uma visão integrada de Nova Lima e de sua relação com a Região Metropolitana de Belo Horizonte.
Entendemos que o crescimento precisa ser acompanhado por uma estratégia urbana clara, construída com diálogo entre poder público, iniciativa privada e comunidade. Nova Lima tem a oportunidade de escolher o modelo de cidade que deseja consolidar. Pode reagir às demandas à medida que surgem ou se antecipar a elas. Pode tratar infraestrutura como consequência do crescimento ou como requisito para que ele aconteça.
A segunda escolha é a que pode garantir competitividade econômica, sustentabilidade e qualidade de vida no longo prazo.
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FONTE: https://www.otempo.com.br/opiniao/2026/9/25/nova-lima-precisa-decidir-que-cidade-quer-ser